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Viajar barato: onde o corte funciona e onde ele volta como gasto

Brasil · Leitura de 5 minutos

Xícara de café clara ao lado de um caderno pautado aberto e em branco, com marcador de página verde escuro e mapa de papel servindo de descanso, mesa clara em luz difusa

Cinco noites fora, duas pessoas, destino a 700 quilômetros de casa, fora da alta temporada. Com essa premissa, a conta fecha numa faixa indicativa de R$ 1.200 a R$ 1.800 por pessoa, e a faixa se mexe com região, temporada e antecedência.

O que decide o lado da faixa em que você cai não é o destino. São quatro linhas de gasto, e elas pesam bem diferente: transporte fica perto de 38% do total, hospedagem em 27%, alimentação em 21% e passeio em 14%.

Nós vamos linha por linha, da que mais pesa para a que menos pesa. Em cada uma, o corte que funciona e o corte falso, aquele que sai de uma linha e volta em outra três dias depois.

Transporte, 38% do total: o corte está na ocupação do carro

Ida e volta somam 1.400 quilômetros. Um carro que faz 12 quilômetros por litro consome perto de 120 litros no trajeto inteiro. Multiplique pelo preço do litro na bomba da sua cidade, some o pedágio da rota pela tabela da concessionária, e a linha fica numa faixa de R$ 460 a R$ 680 por pessoa com duas pessoas no carro.

O corte que funciona é a ocupação. Com quatro pessoas, combustível e pedágio passam a ser divididos por quatro, e o mesmo trajeto sai por R$ 230 a R$ 340 por pessoa. Em trecho aéreo, o equivalente é a antecedência: a tarifa sobe conforme a data se aproxima, e a regra está na própria página de tarifas da companhia.

O corte falso é o voo de madrugada que chega numa hora sem transporte público. A economia da passagem vira corrida de aplicativo ou diária extra. O outro corte falso é a tarifa sem bagagem despachada comprada por quem viaja com mala grande. O despacho pago no balcão costuma custar mais que o despacho comprado antes, e o regulamento de bagagem da companhia diz quanto.

Hospedagem, 27%: a diária barata longe cobra transporte todo dia

Nas cinco noites, a hospedagem fica numa faixa de R$ 320 a R$ 490 por pessoa, para quarto simples de casal fora da alta temporada.

Três cortes funcionam. Quarto com cozinha, que derruba a linha seguinte junto. Noites em dia de semana, quando a diária costuma ceder. E bairro vizinho ao centro turístico, desde que tenha linha de ônibus municipal, o que a prefeitura publica no mapa de transporte.

O corte falso é a hospedagem a doze quilômetros do centro. A diária cai, e duas corridas por dia devolvem a diferença antes do terceiro dia. Antes de fechar, confirme também o que é cobrado fora da diária: taxa de limpeza, taxa de serviço e a taxa municipal de turismo, que existe em algumas cidades e aparece na página da prefeitura.

Alimentação, 21%: o corte é o café da manhã, não o jantar

Cinco dias de comida fora ficam numa faixa de R$ 250 a R$ 380 por pessoa, com uma refeição simples e uma refeição mais cara por dia.

O corte que funciona é o começo do dia. Café da manhã incluído na diária, ou feito no quarto com o que veio do mercado do bairro, tira uma refeição paga de cada dia sem tirar nada da viagem. O almoço de comida por quilo a duas quadras do calçadão faz o mesmo pelo meio do dia.

O corte falso é pular refeição. Quem sai às 9h sem comer nada compra a primeira coisa disponível às 15h, no ponto de maior movimento, pelo maior preço da região. A linha não cai, só muda de horário.

Passeio, 14%: a entrada é a menor parte da linha

Com dois passeios pagos e o resto preenchido pelo que a cidade abre sem cobrança, a linha fica entre R$ 170 e R$ 250 por pessoa. Ingresso de parque e de atração muda por temporada e tem meia-entrada prevista em lei para quem se enquadra, então o valor do dia sai do site oficial do parque, nunca de um artigo.

O corte que funciona é escolher. Dois passeios bem escolhidos rendem mais que cinco atropelados, e o mirante, o centro histórico e a praia de acesso livre ocupam o resto dos dias sem entrar na conta.

O corte falso é o passeio fechado na hora, no calçadão, sem recibo e sem nome de empresa no papel. Além do risco, o combinado costuma virar uma segunda cobrança no meio do percurso.

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O corte que parece grande e o corte que é grande

Quase todo mundo corta na ordem errada, começando pelo passeio, que é a menor linha. Cortar metade dos passeios poupa R$ 85 a R$ 125 por pessoa. Colocar mais um casal no mesmo carro poupa R$ 230 a R$ 340 por pessoa, quase o triplo, e ninguém deixa de ver nada.

A ordem de ataque acompanha o peso: primeiro transporte, depois hospedagem, e só então comida e passeio. Mexer na linha de 14% enquanto a de 38% fica intocada é o jeito mais rápido de viajar pior gastando quase o mesmo.

O gasto que quase ninguém soma: a vaga do carro

Estacionamento não aparece em nenhuma das quatro linhas e cobra todos os dias. Muita hospedagem cobra a vaga à parte da diária, e no centro e na orla a vaga é paga por período em quase toda cidade turística.

Numa faixa indicativa de R$ 20 a R$ 45 por diária, cinco noites viram R$ 100 a R$ 225 no casal, o preço de um dos passeios que você cortou. Uma linha no email da reserva resolve: pergunte se a vaga está incluída na diária. O valor da vaga pública sai da tabela da prefeitura, e muda de bairro para bairro.

Nós somamos. Você decide.

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